A semana foi decisiva para a economia global, marcada pelas reuniões das principais autoridades monetárias do mundo. Embora a inflação sempre tenha feito parte das preocupações dos bancos centrais, ela ganhou nova prioridade no atual cenário de resiliência, devido à sua persistência. Na prática, as autoridades passaram a aceitar um eventual risco maior de desaceleração da atividade econômica para evitar que a alta dos preços se torne permanente. Para o Brasil, esse movimento afeta diretamente o dólar, o fluxo de capital e a curva de juros.
O que cada Banco Central decidiu:
Banco Central Europeu (BCE)
Elevou os juros para conter as expectativas de alta de preços na zona do euro, contribuindo para manter as taxas de longo prazo globais sob pressão.
Federal Reserve (EUA)
Depois de três anos, o Federal Reserve voltou a elevar os juros, em uma decisão aprovada por unanimidade. O comunicado foi curto, mas o novo gráfico de pontos e a entrevista mais dura do presidente da instituição reforçaram a disposição do Fed de recolocar o combate à inflação no centro da política monetária. A cautela anterior estava ligada às incertezas sobre o mercado de trabalho, apesar de os dados já indicarem, desde o ano passado, um mercado sólido e resiliente.
Banco da Inglaterra (BoE)
Optou pela cautela e manteve as taxas inalteradas com os três dissensos na votação, apesar dos números de atividades como emprego, inflação estarem fortes, acima do esperado.
Banco do Japão (BoJ)
Elevou os juros de 1% para 1,25%, atingindo o maior nível em 31 anos. A decisão foi aprovada por sete votos a dois, com os dissidentes defendendo a manutenção da taxa. Embora o aumento já fosse esperado, a sinalização do BoJ foi considerada moderada, pois o mercado esperava uma postura mais dura diante do risco de a inflação superar a meta de 2% ao ano.
Banco Central do Brasil (BCB)
Seguiu em direção oposta à dos principais bancos centrais e reduziu em 025pp a Selic, mesmo diante de expectativas de inflação ainda desancoradas. A decisão refletiu os sinais recentes de desaquecimento da economia, observados nos indicadores de atividade. A partir de agora, os próximos passos deverão depender principalmente da divulgação de novos dados domésticos, e não apenas da evolução do cenário externo. O mercado permanece dividido quanto à trajetória da taxa de juros até o fim do ano.
