Agosto foi um mês de maior cautela para os investidores. No exterior, os juros de longo prazo subiram com força, principalmente nos Estados Unidos, Japão e Alemanha. O movimento reflete uma combinação de maior endividamento dos governos, aumento dos gastos públicos e inflação ainda resistente.
O cenário internacional também continua influenciado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã e pelo funcionamento abaixo do normal do Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte de petróleo. Com a energia mais pressionada, aumenta também a preocupação com a inflação.
Nos Estados Unidos, a economia segue mostrando força. O mercado de trabalho criou 162 mil vagas em agosto, acima das expectativas, reforçando a preocupação de que a inflação possa continuar resistente. O próximo dado importante será a inflação de agosto, que será divulgada antes da decisão do Federal Reserve.
Cenário Doméstico
No Brasil, o cenário foi ainda mais desafiador. Agosto registrou a terceira maior saída mensal de capital estrangeiro da história da B3, ficando atrás apenas de fevereiro e março de 2020. O real também perdeu força frente ao dólar, em meio às dúvidas sobre as contas públicas, à queda dos juros e à aproximação das eleições.
Esse cenário externo também pesa sobre países emergentes. Quando os juros americanos permanecem elevados, investimentos em mercados como o Brasil podem perder atratividade, aumentando a pressão sobre o câmbio e outros ativos.
E as atenções agora se voltam para 16 de setembro, quando teremos uma verdadeira “Super Quarta”: a decisão do Federal Reserve e a do Copom estarão concentradas na mesma data. No Brasil, o mercado também acompanha cada vez mais de perto o cenário eleitoral e seus possíveis impactos sobre os próximos anos.
Para o investidor, a mensagem de agosto é direta : mais do que tentar prever o próximo movimento, é importante estar preparado para diferentes cenários.
